sábado, 29 de maio de 2010

Preto e Branco

Ser tolerante porque o extremismo é teoria, é utopia. Não existe preto e branco, meu bem, existe cinza. Ingênuo(a) você pensar que algo nessa vida é puro. Tudo é híbrido, tudo é mistura. A tua beleza é única porque é diferente. É diferente porque é uma combinação. Combinação sofisticada, trabalhada, evoluída. Tudo é diferente, tudo é único ao seu modo, tudo tem semelhança, e tudo é cinza.
Não existe preto e branco. Não existe certo e errado. Não existe bem e mal. O que existe é consenso, bom senso. O que é aceito e o que não é. Roubar é errado, mas passar fome também. Você puniria alguém nessa situação? Você faria a mesma coisa?
Mas você é diferente, não é? Você é superior. Como pode então saber o que faria nos calçados de outrem? Não se engane achando que suas suposições são corretas e suas certezas inabaláveis. Além de cinza, tudo é mutável, inconstante, e pode ficar mais preto ou mais branco. Mas nunca será um dos dois por inteiro. Você pode mudar a matiz, mas tudo vai terminar no branco e no preto. É o que começa, e é o que termina. É o vago, o ideal, o imaginário, o inatingível.
Porque tudo seria mais fácil se fosse só Preto ou fosse só Branco. Mas o preto é a ausência, a escuridão, e você não pode julgar se não conseguir perceber, enexergar. O Branco é o excesso, a luz demasiada que pode te ofuscar. E o brilho pode mudar os contornos da forma, te desnorteando à mesma maneira.
É o contraste luz e sombra que gera a beleza imperfeita de todas as coisas. Nada é puro, porém. E sendo impuro, será mistura. E sendo mistura terá o "bem" e o "mal" como componentes, formando o híbrido, o cinza, o real.
Olhe o mundo em volta e veja: a beleza que emana de todos os lugares é do centro das matizes. O preto não é belo. Tampouco o Branco. O que é bonito é o arco-íris, meu bem, o rabo do pavão. Não tente separar a vida em extremos, enquadrá-la em classes e tratar tudo como se fosse homogêneo, puro. Você nunca vai conseguir, e em sua tentativa pode perder tempo precioso. Tempo esse que podia estar sendo utilizado para perceber e apreciar os tons de cinza em sua vida. Olhe para eles. São lindos.

Sing your life

Any fool can think of words that ryme
Many others do
Why don't you?
Do you wan't to?
[Morrissey- Sing Your Life]
...

Cante sua vida. Tudo o que você ama. Tudo o que te faz feliz. O que te faz bem é a única coisa que você leva daqui. Os seus momentos de felicidade. Procure afastar o que te agustia de você. Mantenha perto tudo aquilo de que você gosta. Cante a isso.
Porque chorar, meu bem, chorar não vai adiantar. E tudo só depende da maneira como você vê o seu dia.
Se aqueça nos dias de Sol e respire melhor nos dias de chuva.
E quando a tempestade vier pense que o que vem depois é um momento de paz.
O vento, querido(a), o vento vêm pra te fazer dançar.
Cante sua vida, e dance com ela. Um giro e tudo pode ser novo. Dance sozinho, no Sol ou na chuva. E cante a felicidade de poder ter este prazer.








sexta-feira, 16 de abril de 2010

Cansada

As coisas já não são mais como eram antes. Eu já não sou mais como era antigamente. Eu acho que já falei disso aqui, mas antes eu tinha ânimo pra responder, contra-argumentar, provar-me certa. Hoje é diferente. O cansaço do título refere-se não àquele físico, adquirido com excesso de abdominais na aula de educação física. Tem mais a ver com uma estafa mental, sem prespectiva de descanço. Acho que 'fraca' é a melhor palavra pra definir isso agora. Eu me sinto fraca, sem forças, sem ânimo. Eu cheguei a um ponto em que eu simplesmente não tenho mais forças pra discutir, pra ficar brava. E o que sobra, então, é apenas a tristeza. Porque eu não quero mais saber se eu estou certa ou errada. Saber se existem meios de se mudar a situação - porque mesmo que haja, eu simplesmente não vou fazê-lo, não vou correr atrás. Eu estou cansada, fraca, esgotada. Então tudo o que eu faço é acatar ao que me entristece, e afundar nesse sentimento. O que acaba por me enfraquecer mais ainda.
Eu estou ciente de todos os meus erros e defeitos. Deveres e responsabilidades. E se eu sou imperfeita e incompetente não há nada que eu me sinta capaz de fazer nesse momento, porque a perspectiva desses adjetivos sendo lançados tão próximos ao meu rosto, repetidamente, fez com que eu adotasse-os como verdades absolutas e imutáveis. Imutáveis. Porque tudo está relacionado, como numa teia, e de nada adiantaria eu resolver um só probelma: a teia ainda estaria lá - talvez ainda mais tecida. Resolver todos os problemas, porém, sugaria da minha força de maneira demasiada, execessiva. E esta acabaria antes da teia se dissolver. Então assim será. Até que uma mão -  a única mão - pare de me empurrar e resolva me puxar desse poço tão frio.
Talvez haja outros meios. Talvez eu me recupere, mais depressa do que possa pensar. Mas agora tudo o que eu me sinto capaz de fazer é ver. E vejo somente as paredes desse poço, adornadas com palavras pejorativas e atitudes pesadas.


Felizmente, isso se aplica apenas a um segmento da minha vida, ainda que a afete por inteiro, e isso é algo que eu gostaria de resssaltar, pois quando abro os olhos para os outros segmentos que preenchem meu viver, percebo que há mais, muito mais, pelo que devo me alegrar.

Tudo isso vai passar =D

Jó returns

Olha, eu sei que pode não parecer, mas eu sou super contra violência física, sabe? Me remete à armários acéfalos de luta-livre mexicana, comendo nachos adoidado enquanto tentam balbuciar alguma coisa não muito inteligente antes de entrar no ringue, e se estapear debilmente com não-menos-tosco adversário.


Há situações, porém, que uma discução civilizada se torna simplesmente impossível, e eu tenho vontade de chacoalhar o infeliz do interlocutor. Veja que a minha ação inicial desejada é apenas para fazer a pessoa prestar a atenção e ouvir tudo o que eu tenho pra falar, porque normalmente as pessoas que me deixam stressada a esse ponto não tem muitos argumentos, pois caso o tivesse, há probabilidade da discução civilada citada acima acontecer seria muitoporcentamente maior.
Acontece que chacoalhões, sabe-se lá por quê, não é exatamente corriqueiro em nossa sociedade, então eu acabei por não desenvolver este hábito. Logo, o cidadão citado acima não cessou sua fala contínua mas não tão eloquente, o que me deu uam segunda vontade. Como eu disse, eu não sou a favor de violência física, mas eu não pude evitar pensar no quão melhor eu me sentiria numa ação meio 'o segredo', na qual eu realmente cheguei a imaginar minha mão indo felizmente ao encontro daquele déficit de massa cinzenta em forma de cabeça, o fazendo cair levando tudo o que estava grudado a ele junto. Sério, eu pude ver a cena acontecendo repetidamente, de vários ângulos, e em câmera lenta. Só faltou o comentarista e a bola pra ser um jogo de futebol.
O que mais me incomoda porém, é quando as coisas não se resolvem, e tudo fica subentendido, essa rivalidade toda, que infelizmente acaba sugando terceiros pro meio duma briga que não tem nem razão de existir. É complicado de se lidar com pessoas egocêntricas, que no ápice de sua tentativa de atrair atenção, inventam e incitam intrigas - como eu disse, arrastando terceiros para isso -,  só pra se sentir o porta-voz de uma causa tão infundada que a única maneira de manter-se neste posto é fazendo muito barulho - por nada. Causa uma certa revolta, mas eu até que me senti melhor depois da minha idealização 'o segredo', provando que de alguma forma toda aquela teoria profunda pode dar certo.
Lamento apenas pela platéia neutra que é obrigada a escolher um dos lados e se voltar contra o outro lado, jogando fora todo um bom relacionamento construído por um bom período de tempo.
Só queria que o elemento se enchesse de nachos e calasse a boca.
=D

sábado, 20 de março de 2010

~*Arriscar

Eu tenho medo. Eu sou indecisa. Eu tenho um medo absurdo de tomar decisões erradas, de olhar pra trás e ver que tudo poderia ter sido dieferente. Que tudo poderia ter sido melhor. A idéia de arrependimento me assusta não por medo de não poder consertar a eventual merda besteira que eu fiz, mas sim no tempo gasto com tudo isso. Cada um dos minutos que eu nunca vou poder viver novamente.

É por isso que eu tomo cuidado com tudo o que eu faço. Com cada uma das minhas decisões. Porque eu já me arrependi e essa é uma das piores situações pelas quais já passei. E eu não quero isso de novo. Eu tomo cuidado, eu penso, evito, adio, repenso, adio novamente para tentar tomar a decisão certa... e as vezes tomar a errada. Eu penso tanto que, as vezes, no ultimo minuto, mesmo sabendo o certo, acabo fazendo o errado por impulso. Eu tive medo que isso acontecesse naquele momento. Que fosse algo do qual eu ia me arrepender depois. Porque é fato que eu já tinha tomado a minha decisão, e que esta era exatamente o oposto ao que aconteceu. No instante final eu deixei a emoção falar mais alto de novo. E eu nunca fiquei tão feliz por isso.

Quando paro pra pensar eu tenho medo do que aconteceria se eu tivesse seguido a frieza da minha decisão racional naquele momento. E eu tenho certeza de que eu não estaria tão bem quanto agora. Eu nunca acreditei naquele papo de "se arrepender do que não fez" mas algo fez mudar essa visão. A pensar desesperada em tudo o que eu poderia ter perdido, todos os bons momentos - momentos maravilhosos -, que eu deixaria de viver caso tivesse tomado a decisão que, hoje eu vejo, era amargamente errada, mas que até então eu achava ser correta. Essa minha mudança de conceito, depois de todo o meu ponderar, me faz enchergar que é impossível prever o que é certo e errado, impossível prever o dia seguinte. Me faz ver que temos sim que arriscar. E que com isso vamos sim quebrar a cara algumas centenas de vezes, mas que vamos acertar perfeitamente algumas outras, e que estas ultimas serão maravilhosas o suficiente pra nos fazer esquecer de todos os outros fracassos. E é por isso que eu queria agradecer a Deus, ao acaso, à vida, por ter decidido arriscar, e ser tão sucedida nisso. Agradecer por todos os bons momentos. Agradecer por você.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Não o/

Depois de muito pensar e me ferrar cheguei a uma brilhante conclusão: Não compre carro amanhã! Não seja uma pessoa legal! Não releve erros de ninguém, não defenda ninguém. Em geral, não faça nada pelo próximo. Ninguém vai reconhecer isso e você só estará disperdiçando suas energias, que poderiam ser gastas em seu prol. O que me leva ao próximo passo:


Seja egocêntrico. De novo: não se preocupe com os outros, se preocupe com vc. Porque os outros, não vão se preocupar com você meu bem, e alguém tem que fazê-lo. ;D

Não defenda ninguém, principalmente se não pretender jogar isso na cara da pessoa, porque quando você mais precisar de alguém pra te apoiar, este alguém vai estar do seu lado... te acusando. \o/

Não adicione rugas de preocupação ao seu rosto pelo próximo, porque quando as suas chegarem, esta pessoa não vai se lembrar de dividí-las contigo.

Em suma, seja um grandecíssimo filho da puta. Aí as pessoas vão gostar de você. Fikdik ;D

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Hoje eu assisti a um daqueles vídeozinhos que mostram o aquecimento global e as geleiras derretendo. A situação é desesperadora, é claro, mas tudo o que eu conseguia pensar era como aquilo se assemelhava a minha vida no momento. Estou no meio de um geleira, sem saber que caminho seguir, perdida, sozinha. E com o medo de escolher um caminho em que tudo ja estivesse derretido. Medo de me perder. Medo de congelar. Medo de enfrentar tudo aquilo sozinha. O branco intenso, a falta de cores, de alegria, o desespero. Tudo assemelhava-se ao meu estado de espírito. O vídeo continuou e me vi com medo de, da mesma maneira que o urso polar, morrer afogada antes de achar algo em que pudesse me apoiar.
Os autos e baixos da minha vida tem se tornado, ambos, mais baixos, e as vezes, como agora, eu gostaria de fugir. Fugir de todos, fugir daqui. Fugir dos problemas, de tudo aquilo que me impede de sorrir. Fazer o branco do gelo que preenche a minha vida entrar na minha mente, trazendo com si a calma; e o turbilhão de cores que lotam meu pensamento preencher os espaços em branco dos meus momentos, trazendo com si alegria. Queria trocar o gelo pelo calor do afeto dos que me circundam. Queria trocar o frio pelo conforto, o aconchego. Queria me sentir segura.